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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


foto: Celso Junior/AE
Aposentados protestam na galeria do plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, para pressionar os deputados a aprovarem o projeto que estende a todas as aposentadorias e pensões o mesmo índice de correção do salário mínimo - Editoria: Economia AG - Foto: Celso Junior/AE
Aposentados se mobilizam para reivindicar medidas contra perdas no benefício
Mikaella Camposmikaella.campos@redegazeta.com.br

Aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a travar uma nova briga com o governo federal para um reajuste salarial mais digno.

Uma das propostas apresentadas pela categoria, inclusive, foi aprovada nas reuniões do Conselho Nacional de Previdência Social, que é a criação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Idoso.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Previdência Social, a Fundação Getulio Vargas (FGV) foi contratada para elaborar um estudo.

A ideia é que os aposentados tenham seus vencimentos corrigidos em cima de um índice de inflação próprio. Hoje, os benefícios de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados a partir do índice de inflação oficial.

Para os representantes dos aposentados, o aumento dado anualmente não representa as necessidades dos idosos. O arrocho salarial da categoria fica pior a cada ano com a sobrecarga de gastos com remédios, planos de saúde, além da alimentação.

A inflação do idoso, que deve ser formada pelo IBGE, é uma reivindicação antiga dos aposentados. O que eles querem, na verdade, é que o governo cubra as correções de preço e que dê ganho real aos segurados.

O secretário de Políticas Públicas da Previdência, Leonardo Rolim, chegou a confirmar que o INPC não é um índice que reflete a realidade do aposentado. "O ideal seria um índice específico. Mas isso não é uma solução para agora porque, depois de criado é preciso de, no mínimo, um ano de maturação".

O economista da Confederação Nacional dos Aposentados (Cobap), Maurício Oliveira, explica que o setor também vai apresentar uma nova proposta de reajuste para o governo.

Os aposentados fizeram um estudo nas contas da Seguridade Social e perceberam que a arrecadação teve ganho real, por ano, de em média 7%.

Com isso, vão reivindicar também um aumento referente a 80% do PIB. Em tese, o cálculo vai igualar o reajuste de benefícios dos aposentados com o aumento do salário mínimo.

O assunto deve ser discutido em breve, numa nova reunião do Conselho Nacional da Previdência.

Membro do conselho da Cobap, Alcides dos Santos Ribeiro acredita que esse aumento da arrecadação seria o suficiente para deixar todos os aposentados vivendo com tranquilidade.

"A confederação está brigando e martelando para que o governo federal iguale os reajustes de todos os aposentados", diz.

A confederação deve entregar as solicitações dos segurados do INSS nos próximos dias para o senador Paulo Paim e para o deputado federal Arnaldo Faria de Sá.

Negociação com governo será retomada em breve
Os aposentados vão retomar em breve as negociações com o governo federal para definir um novo aumento salarial para este ano ainda. O Ministério da Previdência Social deve soltar até março o cronograma para o reinício da conversa.

Enquanto o salário mínimo teve alta de 14,1%, por exemplo, aposentados que viviam com mais do que R$ 545 tiveram seus vencimentos corrigidos em 6,08%.

Como os benefícios foram apenas corrigidos pela inflação, mais de 1,3 milhão de aposentados, no país, que recebiam acima do piso nacional caíram de faixa e desde janeiro ganham R$ 622.

No Espírito Santo, de acordo com o Sindicato Nacional de Aposentados, cerca de 50 mil segurados estão nessa situação. No Espírito Santo, a estimativa do Sindicato Nacional dos Aposentados é de que cerca de 50 mil beneficiários se encontram nessas condições

A batalha dos inativos
Correção
Quem ganha acima do salário mínimo
O governo, todos os anos, aplica a inflação e concede um pequeno ganho real aos aposentados. Eles recebem um reajuste bem inferior aos segurados que ganham um salário mínimo.

Inflação
Índice especial do idoso
Os aposentados reivindicam e a Previdência começou a estudar a criação de um Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do idoso. A ideia é que seja calculado os custos da terceira idade para que o reajuste salarial seja adequado à alta dos preços dos serviços e produtos consumidos por maiores de 60 anos.

80% do PIB
Aumento da arrecadação
Aposentados também vão apresentar ao governo federal um levantamento que aponta uma alta na arrecadação da Seguridade Social. A ideia é mostrar que o governo tem recursos para conceder aumento para os aposentados no mesmo índice aplicado ao salário mínimo.

Negociações
O problema
O governo concedeu reajuste de 14,1% para os aposentados que recebem o mínimo. O salário passou de R$ 545 para R$ 622. Já para quem recebe acima do piso, o aumento foi de 6,08%.

Histórico
De 1988 até 1991, o valor do benefício pago pelo 
INSS era em relação à quantidade de salários mínimos que o trabalhador recebia ao se aposentar. Em 1992, com a criação da Lei Ordinária, os beneficiários da Previdência Social passaram a receber reajuste de um índice fixado pelo governo por meio de uma medida provisória.

Perda
Segundo estudo da Cobap, em 18 anos, a defasagem dos benefícios do INSS, em relação ao salário mínimo, chegou a 75%.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Desatar os nós - MÍRIAM LEITÃO


Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

O GLOBO - 15/02/12

A presidente da Petrobras, Graça Foster, assume a empresa com alguns problemas a resolver. O mais espinhoso talvez seja o do preço da gasolina. O reajuste é impopular, a classe média acha que já paga demais, mas a empresa está tendo prejuízo diário ao importar gasolina a um preço maior do que tem que entregar às distribuidoras. A demanda sobe, a importação cresce, e o desequilíbrio aumenta.

Ontem, o diretor financeiro Almir Barbassa se esforçou para explicar por que o mercado tinha previsto um lucro bem maior do que foi apresentado no último trimestre. O lucro foi divulgado na noite de quinta-feira, e as ações despencaram 8%, na sexta, último dia da gestão Gabrielli.

Uma das explicações dadas por ele é que aumentou de 28% para 32% a participação de importados nas vendas do período. No ano fechado de 2011, o consumo da gasolina cresceu 24%. Em janeiro, a empresa já avisou que o consumo de gasolina, comparado com o mesmo mês do ano passado, aumentou 36%. Quanto mais cresce o consumo, mais a empresa tem que importar, e com toda a sua "autossuficiência" está tendo prejuízo no negócio e ainda aumentando o déficit do setor na balança comercial.

É difícil convencer quem está suando para encher o tanque, mas a verdade é que o governo brasileiro está subsidiando a gasolina há vários anos. Argumentavam que o motivo do congelamento era a instabilidade do preço internacional, mas o governo fez isso para se manter popular, ter ganhos eleitorais e manipular a inflação. O preço do petróleo sempre será instável, mas há muito tempo está acima dos níveis em que estavam quando esse valor foi decidido. O que ajuda a diminuir o prejuízo é a queda do dólar; aliás, problema que preocupa o governo por estimular a importação de todos os outros bens e produtos.

Em 2003, quando o ex-presidente José Sérgio Gabrielli assumiu a diretoria financeira, o preço internacional do barril de petróleo estava em US$ 31. Dois anos depois, quando assumiu a presidência, o preço já havia pulado para US$ 55. Pois chegou a passar de US$ 140, em 2008, e agora está em US$ 117. Na última vez em que o preço da gasolina comprada pela distribuidora subiu, foi a R$ 1,55. Agora, está em R$ 1,51, valor menor do que o preço pago em setembro de 2005. A Petrobras já teve nos últimos seis anos aumento da sua remuneração, mas que foi absorvida pelo governo através de redução de imposto (a Cide), para que o reajuste não chegasse ao consumidor. Atualmente, o Etanol, energia renovável, paga mais imposto que o combustível fóssil. Desorganiza-se assim também a cadeia produtora do Etanol.

Como desatar esse nó? É "tudo com você, Graciosa", como diria a presidente Dilma Rousseff. Não haverá outra forma, que não reajustar o preço. Ela assumiu falando em continuidade, mas sabe que está com essa batata quente na mão deixada pelo seu antecessor. Gabrielli, numa entrevista concedida a Fernando Dantas, do "Estadão", no domingo, disse que os preços têm que subir em "algum momento" e que se forem mantidos ocorrerá "um processo completamente irracional e ilógico de alguns distribuidores comprando derivados da Petrobras para exportar". Isso seria lógico e racional da parte do ex-presidente, se não fosse o oposto do que ele praticou e defendeu como bom durante todos os últimos anos.

A Petrobras é estatal e em nenhum governo esteve à venda, mas tem cada vez mais sócios privados. Desde grandes empresas até pequenos investidores que entraram em fundos da Petrobras com seu precioso dinheirinho de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Gente que tem planos para o dinheiro aplicado em ações que já valeram R$ 50 e agora estão em R$ 24.

Uma animadora declaração da nova presidente foi a de que a segurança em relação ao meio ambiente é tão importante que se houver risco ambiental pode adiar até mesmo procedimentos do pré-sal. Bom ouvir isso, porque exatamente quando a Petrobras vai mais fundo na exploração de petróleo é que é mais necessário aperfeiçoar todos os protocolos para evitar qualquer desastre. E nessa área, quando o imprevisto acontece, o estrago pode ser grande como provou o terrível acidente da British Petroleum no Golfo do México.

Ela disse que não haverá mudanças na política de conteúdo nacional para a compra de equipamentos ou plataformas, porque essa é uma diretriz do governo. O problema é que a diretriz não tem sido seguida, até pela dificuldade de encontrar fornecedor nacional no percentual adequado. Graça Foster disse que cumprirá o cronograma de investimentos. A empresa tem pesados investimentos pela frente, como operadora do pré-sal e todos os seus outros compromissos. Para isso, ela terá que captar em parte no mercado internacional. No meio de uma crise é mais difícil. Se houver um agravamento que afete o mercado de crédito, a empresa pode ter dificuldades para financiar esses investimentos. Graça Foster disse também que continuará vendendo ativos que não forem essenciais ao negócio; e continuará investindo em Etanol, inclusive com novas aquisições, se necessário. Aí ela entrou em contradição porque na expansão da produção de Etanol a Petrobras tem adquirido empresas que também produzem açúcar. Convenhamos, açúcar não pode ser considerado essencial para uma empresa de petróleo.

A gestão de Gabrielli foi marcada pela interferência governamental direta e pelo envolvimento da empresa em campanhas partidárias. Mesmo sendo incondicional a fidelidade de Graça a Dilma, seria bom para a empresa critérios mais técnicos nas decisões.

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QUALIDADE DA NOSSA TV: ATÉ QUANDO?



Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE


A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se podem assistir gratuitamente) fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.


Na telinha, tudo é permitido, tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal… A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente pra fabricar um filho… Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê… Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória… Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família… Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama… Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, temos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e a o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social… E a telinha destruindo valores e criando ilusão…


E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas são prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta, (2) a programação é espelho da vida real, (3) controlar e informação é antidemocrático e ditatorial… Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil – incluindo a Igreja, infelizmente – vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira…


Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas…). Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “Meus heróis! Meus guerreiros!” – Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens!


Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta… Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia… A grande preocupação de todos – assunto de debates, colóquios e até crises – é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranqüilamente dá-se as mãos para invocar Jesus… Um jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas… Um jesusinho de encomenda, a gosto do freguês… que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgaridade e a falta de compromisso com ele na vida e exige de nós conversão contínua! Um jesusinho tão bonzinho quanto falsificado… Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui!”


Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficaremos calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos… E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!


Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação…


E se alguém não gostou do que leu, paciência!

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